Metodologia
De onde vêm os números, como cada partido é posto num campo ideológico e onde estão os limites do que dá para afirmar.
O que cada número significa
Resultado da eleição. Cada cadeira conta para o partido pelo qual o candidato foi eleito. Trocas de partido depois da eleição, fusões e migrações não mudam a coluna. Quando uma decisão judicial refaz a totalização, vale a versão mais recente publicada pelo TSE, e a nota da coluna diz isso.
Executivo. Presidentes, governadores e prefeitos das capitais aparecem por exercício: o titular, o vice que assumiu, os interinos e os interventores, com as datas de cada período. Uma troca de partido no meio do mandato divide a barra. A simples renomeação de um partido (PMDB → MDB, PFL → DEM) não divide.
Senado. A composição de cada legislatura soma os senadores eleitos nas duas últimas eleições, porque o Senado renova um terço e dois terços alternadamente.
Fontes e precisão
Cada coluna dos gráficos mostra embaixo a sua precisão, em %: o quanto das cadeiras tem o partido confirmado. Cada cadeira recebe um peso conforme a fonte, e a precisão da coluna é a média ponderada pelas cadeiras. Nos governantes, a precisão é o peso da fonte daquele exercício.
Legislativo de 1945 a 2026: TSE. Os dados abertos do TSE trazem cada candidato eleito desde 1994 nas eleições gerais e desde 1996 nas municipais. Para 1945–1990, o TSE tem um repositório histórico (votacao_candidato_uf), digitado pela Seção de Arquivo a partir dos documentos oficiais de apuração, com todos os eleitos para a Câmara, o Senado e as assembleias. Em todas as eleições, a contagem é conferida contra o arquivo oficial de vagas.
O que é curadoria. Presidentes, governadores e prefeitos das capitais, em todos os períodos; o partido individual dos eleitos por coligação (1950–1962); os senadores eleitos indiretamente em 1978; a Constituinte da Guanabara (1960); e as câmaras das capitais antes de 1996, para as quais o TSE não tem dados municipais. As fontes são listas oficiais de governos, assembleias e câmaras, o DHBB/CPDOC da FGV, as publicações “Dados Estatísticos” do TSE, a Wikipédia (sempre conferida contra outra fonte) e a imprensa. Cada linha cita as fontes, e um segundo revisor conferiu cada arquivo de forma independente.
Exemplo: a Câmara de 1962 tem 409 deputados. 216 têm o partido no TSE (100%); para os 193 que o TSE registra só pela coligação, o partido vem da curadoria (95% ou 75%, conforme a fonte) ou fica em aberto (0%).
Lacunas aparecem hachuradas. Nada é interpolado: se não sabemos o partido de uma cadeira, ela aparece como “sem dados confirmados”.
Campos ideológicos
Os partidos mudam de posição ao longo do tempo, e as escalas acadêmicas medem momentos diferentes. Por isso o site usa uma escala por era, e as eras não são comparáveis entre si. Nos gráficos, a linha tracejada marca a troca de era.
- 1979 em diante: Bolognesi, Ribeiro & Codato (2023), “Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros”, Dados 66(2). É uma pesquisa de 2018 com cientistas políticos, numa escala de 0 (extrema-esquerda) a 10 (extrema-direita).
- 1945 a 1965: classificação da literatura sobre o sistema partidário de 1946.
- 1966 a 1979: bipartidarismo (ARENA e MDB), também pela literatura.
- Antes de 1945: partidos estaduais e chefes nomeados, sem classificação.
Faixas da escala de 2023
| Categoria | Nota |
|---|---|
| Extrema-esquerda | 0 a 1,5 |
| Esquerda | 1,51 a 3 |
| Centro-esquerda | 3,01 a 4,49 |
| Centro | 4,5 a 5,5 |
| Centro-direita | 5,51 a 7 |
| Direita | 7,01 a 8,5 |
| Extrema-direita | 8,51 a 10 |
Nos gráficos, extrema-esquerda e esquerda aparecem juntas como “Esquerda”, e direita e extrema-direita, como “Direita”. Pelas faixas do artigo, PSOL, PCB, PCO e PSTU caem em extrema-esquerda, e DEM (8,57) e Patriota (8,55) em extrema-direita, por centésimos. A nota máxima foi 8,57.
Por que separar MDB, PSDB e PSD
Na escala de 2023, o MDB (7,01), o PSD (7,09) e o PSDB (7,11) ficam a centésimos do corte entre centro-direita e direita. A literatura das décadas de 1990 e 2000 punha PMDB e PSDB no centro. A opção “Separar MDB, PSDB e PSD”, ligada por padrão, mostra esses três numa faixa própria. Isso deixa visível a principal mudança recente: o avanço dos demais partidos de direita.
Limitações
- Uma foto de 2018 aplicada a quarenta anos. O PSDB de 1994 não estava no mesmo lugar que o de 2018, e o PL de antes de 2019 (o antigo PR) também não.
- Partidos fora da escala herdam a nota de um antecessor ou sucessor na linhagem, ou ficam sem classificação. Cada caso está listado abaixo. O PMDB (1980–2017) herda a nota do MDB (7,01), mas a literatura da época o punha no centro (Coppedge 1997; Mainwaring, Meneguello & Power 2000). É por isso que a visão padrão separa MDB, PSDB e PSD dos demais partidos de direita.
- Coligações de 1950 a 1962. O TSE registra parte dos eleitos só pela coligação. Quando o partido individual foi identificado (API da Câmara, DHBB, Wikipédia), ele aparece com a confiança da fonte. Quando não foi, a cadeira aparece pela coligação: se todos os partidos dela estão no mesmo campo, conta nesse campo; se não, aparece pontilhada.
- Notas na fronteira: o PT (2,97) e o MDB (7,01) mudam de faixa com centésimos de diferença.
Linhagem dos partidos
Na leitura “Por partido”, cada linha segue uma entidade, não uma sigla: PFL → DEM é a mesma linha; o União Brasil, nascido da fusão de DEM e PSL em 2022, é outra. O PSD de 1945, o de 1987 e o de 2011 são partidos diferentes, assim como o PL de 1985 e o PL atual (ex-PR).
Problemas encontrados nos dados do TSE
Os arquivos do TSE têm falhas pontuais. Cada uma foi tratada por regra explícita, e o total de cadeiras de cada coluna é conferido contra o arquivo oficial de vagas.
Divergências com outras fontes
O protótipo do site usou números de imprensa. Onde eles divergem do TSE, a explicação está abaixo.
Desempenho por mandato
Associação, não mérito. As métricas de desempenho mostram quanto um indicador andou acima ou abaixo de um comparador durante o mandato, descontados os choques que atingiram todos. Elas incluem sorte, choques próprios do estado (petróleo, minério, uma obra federal grande) e tendência estrutural. Não há nota, ranking nem índice composto, e as cores não indicam bom ou ruim.
A fórmula do Desempenho Relativo (DR)
Para o indicador Y, a UF u, o mandato com ano-base a (último ano do governo anterior) e ano-fim b (último ano do mandato), e a defasagem L:
DR = 100 × [ ln(Yu, b+L / Yu, a+L) − ln(YC, b+L / YC, a+L) ]
- Comparador (C): o resto do Brasil, isto é, a soma do numerador das outras 26 UFs dividida pela soma do denominador. É um agregado, não uma média de UFs, e não inclui a própria UF (São Paulo é cerca de 30% do PIB).
- Unidade: pontos log, que valem aproximadamente pontos percentuais de crescimento acumulado. Em log, as variações anuais se somam: a contribuição de cada ano aparece no detalhe e a soma dá o DR do mandato.
- Dívida / RCL é uma razão em %, então usa a diferença simples: a variação da razão na UF (em p.p.) menos a do comparador.
- Exemplo: Pernambuco, PIB per capita, 2011–2014. De 2010 a 2014 o PIB per capita de PE cresceu 14,6%, e o do resto do Brasil, 5,8%. DR = 100 × (0,1358 − 0,0560) = +8,0.
Como todas as UFs trocam de governo ao mesmo tempo desde 1994, o DR compara governos simultâneos: ponderado pelo peso de cada UF, ele fica perto de zero em cada mandato.
Indicadores
| Indicador | Transformação | Defasagem (padrão / sensibilidade) | Precisão do dado |
|---|---|---|---|
| PIB per capita real | log | 0 / +1 | 95% (90% nos anos mais recentes) |
| Homicídios por 100 mil habitantes | log | 0 / +1 | 90% (ano preliminar: menos) |
| Mortalidade infantil | log | 1 / 0 e +2 | 90%; 60% no Norte e no Nordeste antes de 2011 (sub-registro) |
| Dívida consolidada líquida / RCL | diferença (p.p.) | 0 / +1 | 90% (2015 em diante); 85% (2000–2014) |
O numerador e o denominador de cada indicador vêm de uma única safra registrada. O PIB per capita é o PIB real das Contas Regionais (IPEADATA, série PIBE) dividido pela projeção de população do IBGE (revisão 2018); a série per capita pronta do IPEADATA implica outra população e não é usada. Fontes, safras e licenças:
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Defasagens
Política muda o resultado com atraso. Uma defasagem de +1 desloca a janela um ano: para o mandato 2011–2014, a janela 2010→2014 vira 2011→2015. O PIB, os homicídios e a dívida usam defasagem 0, com +1 como sensibilidade; a mortalidade infantil usa 1, com 0 e +2 como sensibilidade.
Grade de especificações, variação típica e rótulo
- Faixa de especificação (o bigode): o mínimo e o máximo do DR em {resto do Brasil, resto da região} × {defasagem padrão, defasagem +1}. Para as UFs com bandeira de commodities (ES, MG, PA e RJ) entra também o comparador “outras UFs expostas a commodities”.
- Variação típica (a faixa cinza): os percentis 10, 25, 75 e 90 do DR de todos os UF-mandatos de 2003–2006 a 2019–2022 (135 casos), na mesma especificação. Responde “isto é incomum?”, não “isto foi causado pelo governo?”.
- Rótulo descritivo: “acima do resto do país (robusto)” quando todas as especificações dão DR positivo e o DR principal passa do p75; “abaixo (robusto)” no caso simétrico (todas negativas e abaixo do p25); nos demais casos, “dentro da variação típica ou sensível à especificação”. Na calibração com o PIB per capita, 28 mandatos ficam acima, 22 abaixo e 85 (63%) sem conclusão. É o resultado esperado: a maior parte dos “efeitos de governante” não se distingue do ruído (Easterly e Pennings, 2020).
- Três incertezas, nunca somadas: a da especificação (bigode), a do ruído e da sorte (faixa cinza) e a do dado (precisão em %, sob cada barra).
Precisão
A precisão do DR é a menor entre as dos anos e das séries usados na janela: UF e comparador, ano-base e ano-fim. A do comparador é a média das UFs ponderada pelo denominador. Dado preliminar ou com quebra de série baixa a nota. Como na v1, quando a precisão fica abaixo de 80% o site mostra a explicação. A precisão mede só o dado; a incerteza do método está nas faixas.
Mandatos e pessoas
- A unidade é o mandato (a chapa eleita e os quatro anos), a partir de 2003–2006, com ano-base 2002: antes disso as séries por UF têm outra metodologia. As séries brutas mais antigas aparecem só no detalhe.
- O mandato 2023–2026 aparece como “dados insuficientes” até sair o dado do último ano (as Contas Regionais saem com cerca de dois anos de atraso).
- Quem exerceu menos de 24 meses não recebe métrica própria: com dados anuais, nove meses não têm resolução. Substituições de menos de 30 dias são ignoradas.
- A divisão por pessoa, só no detalhe, soma as contribuições anuais ponderadas pela fração de dias de exercício em cada ano. Ela supõe distribuição uniforme dentro do ano e é mecânica.
O estado não é só o governador
O DR não separa a gestão estadual de:
- choques próprios da UF que não dependem dela (preço do petróleo e do minério, safra, seca);
- política federal concentrada na UF (uma refinaria, uma transferência), as prefeituras e a Assembleia;
- a tendência estrutural, como a convergência dos estados mais pobres;
- a qualidade do gasto e o custo fiscal: crescer com endividamento aparece como positivo no PIB, por isso a dívida aparece ao lado e nunca é somada.
Bandeiras de contexto, com fonte, marcam os casos conhecidos: exposição a commodities, obra federal grande, pandemia, quebra de série e mandato parcial (mais de uma pessoa exerceu o governo por 30 dias ou mais).
Presidentes
Não existe “resto do Brasil” para o presidente. O comparador é a mediana dos pares latino-americanos, sem o Brasil (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Uruguai), com o crescimento anual do PIB per capita em dólares constantes de 2015 do Banco Mundial (WDI). A sensibilidade usa o agregado da América Latina e Caribe sem o Brasil e a defasagem +1. A variação típica é um placebo: cada país do grupo contra a mediana dos outros, nas janelas dos mandatos de 1995–1998 a 2019–2022. Os mandatos de 2003–2006 a 2015–2018 levam a bandeira do ciclo de commodities (alta de 2003 a 2011 e queda de 2012 a 2016). O país não é só o presidente: pesam também o Congresso, o Banco Central, os estados e o cenário externo.
Licença dos dados de dívida
A dívida consolidada líquida e a receita corrente líquida vêm do Tesouro Nacional (Tesouro Transparente e SICONFI), publicadas sob a Open Database License (ODbL 1.0). A parte dos arquivos do site derivada delas (o indicador Dívida / RCL em /data/desempenho/) é distribuída sob a mesma licença, com atribuição ao Tesouro Nacional. Os demais indicadores são dados públicos do IBGE, do Ipeadata, do Ministério da Saúde e do Banco Mundial (CC BY 4.0), usados com citação da fonte.
Produção legislativa
Volume não é desempenho. Estes números descrevem quantas leis passaram, de onde vieram e quanto cada partido votou com o governo. Não medem a qualidade das leis nem o mérito de quem as propôs.
Leis por mandato presidencial e origem
- O que conta: leis ordinárias e complementares (LEI e LCP) sancionadas ou promulgadas, pela data de assinatura, desde 1946. A lei assinada por um substituto temporário conta para o titular. A contagem por ano bate com o intervalo da numeração oficial; leis com letra (1.057-A) contam em separado.
- Origem: Casa ou Poder da iniciativa. Conversão de medida provisória e projeto do Presidente contam para o Executivo; projeto do Senado, para o Senado; projeto de deputado ou de comissão da Câmara, para a Câmara; tribunais, Ministério Público da União e comissões mistas, para “outros”. Leis do orçamento (LOA, LDO e PPA) contam para o Executivo, que tem a iniciativa privativa.
- Recortes: todas as leis; sem créditos e orçamento; e “substantivas”, que tiram também homenagens, datas comemorativas e declarações de utilidade pública. O recorte é feito por um classificador de ementas conferido contra uma amostra revisada à mão; a taxa de erro aparece abaixo.
- Contexto do regime: decretos-leis (até 1988) e medidas provisórias (desde 1988) não entram na contagem e aparecem só como contexto.
- Fontes: dados abertos do Senado (
/legislacaoe/processo) e da Câmara, para conferir a autoria. - Precisão: 95% de 1988 em diante, 85% de 1970 a 1987 e 60% antes, até haver gabarito externo. Antes de 1970, comissões da Câmara apresentavam como projeto próprio pedidos de crédito do Executivo, o que subestima o Executivo no recorte com todas as leis. A precisão do ano cai para a fração de leis com origem identificada, se for menor.
Projetos aprovados por partido
- Projetos de lei, de lei complementar e de emenda constitucional apresentados por parlamentares, desde a 52ª legislatura (2003). O partido é o do primeiro autor na data da apresentação: na Câmara, pelo histórico do deputado; no Senado, pela sigla da autoria, mapeada pela linhagem de partidos da v1.
- Aprovado quer dizer transformado em norma. Projetos apensados contam uma vez, pelo principal, e a mesma lei conta uma vez por partido e legislatura.
- Taxa de aprovação = aprovadas ÷ proposições. Por cadeira = aprovadas ÷ cadeiras do partido no início da legislatura (composição da v1).
- Precisão: 85%. Na legislatura em andamento, projetos recentes ainda tramitam, então a taxa é provisória.
Governismo por partido
- Votos do partido iguais à orientação do governo ÷ votos Sim e Não do partido, na Câmara, desde 2003.
- Só votações nominais do plenário em que o governo orientou o voto. As consensuais (mais de 90% dos votos do mesmo lado) ficam de fora. Ausência, abstenção e obstrução não contam; orientação de obstrução do governo conta como Não.
- O partido é o do deputado na data do voto. Precisão: 90% (2003 e 2004 ainda a conferir, porque o lote da Câmara está incompleto).